GUIA DE VIAGEM PARA UM PASSEIO PELO INTERIOR DE PORTUGAL
Não escrevia no nosso blog à algum tempo, não porque não goste de escrever, mas sim por falta de tempo. Andamos sempre numa correria, o tempo urge, o descanso é pouco e deixamos o que gostamos de fazer para depois e esse depois, vai-se arrastando e muitas vezes é substituído por outros afazeres e outros objetivos.
Julho de 2026 e lá vamos nós para mais uma visita a Castelo Branco, pois é ainda não vos tinha falado desta fantástica capital de Distrito. Desde Setembro do ano passado abracei mais um projeto na minha vida e agora também dou aulas na Escola Superior de Saúde Doutor Lopes Dias em Castelo Branco, o que nos leva a visitar esta cidade de quinze em quinze dias. Vou corrigir, o Homem faz caminhadas pela cidade, eu trabalho e neste momento ele conhece melhor Castelo Branco que muitos albicastrenses (palavra que se utiliza para os habitantes desta cidade).
Castelo Branco, uma cidade de luz, de património e de tradições enraizadas, localizada na Beira Baixa da Região do Centro, a cerca de 230 quilómetros de Lisboa, sempre por autoestrada, onde a serra e a cidade se cruzam. Ocupada por colonos romanos, foi no monte da Cardosa, que esta cidade teve a sua origem, denominada por Albi Castrum. É uma cidade que se vê facilmente num dia, valendo a pena calcorrear pelas ruas íngremes até ao recinto do Castelo dos Templários e poder contemplar o horizonte da paisagem em redor. É uma cidade cheia de cultura, com alguns espaços verdes, onde destacamos o Parque do Barrocal e o Jardim do Paço Episcopal, um exemplar único e original do Barroco em Portugal, fundado no séc XVIII, onde vários elementos religiosos coabitam com símbolos da natureza.
A melhor altura para fazer este tipo de viagem depende do que procura. Nós gostamos de sossego, pouco turismo e sermos apenas nós, a natureza e aquilo que ela tem para nos oferecer e como tal, preferimos sempre fazer estes percursos no Inverno, desde que exista sol, mas atenção que os Invernos são muito rigorosos no interior e os Verões extremamente quentes. Se for amante de caminhadas, a Primavera e o Outono podem ser épocas excelentes com dias menos frios e onde pode fazer uns trilhos pela natureza e desfrutar de um maior número de paisagens e miradouros. O Verão para nós é sempre a pior época do ano pela grande afluência turística, mas por outro lado tem a possibilidade de poder dar um mergulho nas águas das praias fluviais da região centro, que são muitas e ótimas para dar um mergulho.
A gastronomia é rica em pratos de forno, como o cabrito assado e as migas de tomate com peixe do rio. Existem vários restaurantes com boa relação preço qualidade, mas o nosso preferido é a Taberna Manjar do Ramos. onde no verão pode optar por jantar no pátio do restaurante, um espaço muito bem decorado, agradável, com funcionários simpáticos e comida excelente, com boa opção para os petiscos, mas atenção que é melhor reservar.
Em relação ao alojamento as ofertas são escassas, com poucos hoteis, mas alguns alojamentos B&B. Nós em 10 meses que visitamos a cidade, apenas agora ficamos a dormir no Hotel Rainha D. Amélia. para irmos jantar ao Novo Pátio Manjar do Ramos.
1º Dia - Lisboa, Praia Fluvial do Carvoeiro, Castelo Branco
Depois de uma manhã de trabalho, saímos de Lisboa em direção a Castelo Branco, pela A1 e A23 e fizemos uma paragem na Praia Fluvial do Carvoeiro, situada a cerca de 25 quilómetros da vila de Mação. Uma praia com Bandeira Azul, com estacionamento gratuito, muito agradável, calma, espaçosa, vigiada por nadadores salvadores, com bar de apoio com esplanada e mesas de piquenique e churrasqueira. Esta praia aproveita o curso da água da ribeira que atravessa a povoação com o mesmo nome e forma um género de piscina com infraestruturas de apoio a pessoas com mobilidade reduzida. Ao redor do espaço, encontra um bosque de pinheiros que predominam na vegetação, fornecendo algumas sombras, tranquilidade e ar puro. É um local muito agradável para se passar uma tarde de calor e foi o que nós fizemos.
Chegamos a Castelo Branco pelas 18h30 e como tenho um veículo elétrico, tivemos de fazer uma paragem no Fórum para carregar o carro. Não foi assim tão mau porque fiz umas comprinhas. Qual a mulher que não gosta de passear no shopping?!
Chegamos ao Hotel Rainha D. Amélia, um hotel de 4 estrelas, um pouco antigo e que na nossa opinião precisa de algumas remodelações. O quarto era bom, mas o w.c deixou um pouco a desejar. Em 2026 um hotel de 4 estrelas com banheira? Talvez estejamos mal habituados e tornamo-nos um pouco mais exigentes. O pequeno almoço é buffet e era aceitável.
Jantamos no Pátio do Manjar do Ramos e adoramos a experiência. A comida já conhecíamos, mas o ambiente é bastante acolhedor, simpático, muitíssimo bem decorado, com decoração rústica e como o Homem mete conversa com toda a gente, mantivemos uma conversa agradável com o casal que se encontrava na mesa do lado, que nos deu uma sugestão de um restaurante em Alfrivida, Café o Rato, onde se comem as melhores migas de tomate com peixe do rio e que o Homem pretende ir experimentar.
2º Dia - Castelo Branco, Miradouro da Faia, Pinhel
Acordamos cedo, tomamos o pequeno almoço e deslocamo-nos para a Escola Superior de Saúde Doutor Lopes Dias, para o meu propósito na cidade, dar um exame de recurso aos estudantes.
Saímos da cidade pelas 10 horas e fomos pela A23 em direção a Pinhel, com uma paragem no Miradouro da Faia em Azêvo, inaugurado em Abril de 2022, onde temos o prazer de ser assoberbados pelas maravilhosas paisagens sobre o Rio Côa e as suas encostas envolventes.
O acesso ao miradouro não é o melhor. Tem de deixar o carro a cerca de 450 metros de miradouro, na localidade de Faia e fazer o percurso por caminhos de terra sempre a descer e o que desce, sobe e na hora do calor, custa um bocadinho. No final do percurso, encontra umas escadas em ferro, a descer, que finalizam numa plataforma de vidro transparente, suspenso, que fica a cerca de 210 metros de altura sobre o rio Côa.
Para quem não tem medo de alturas, esta é sem dúvida uma excelente experiência, com uma das melhores vistas sobre o rio. Este miradouro, foi um dos primeiros investimentos que o Município de Pinhel pretende concretizar e que integra a construção de uma Falcoaria.
De regresso ao carro, cansados e com calor, fizemos uma curta paragem no Intermarché de Pinhel, onde fomos comprar o nosso almoço e jantar, para degustar no terraço do alojamento que o Homem me ofereceu no dias dos namorados.
Côa Honeycomb, um projeto de agroturismo, familiar e com apenas 4 casas de madeira, hexagonais, ou melhor, 4 favos de mel. Uma família de apicultores, aproveitou um terreno familiar com várias oliveiras, onde apenas era realizada a apanha da azeitona, para realizar um sonho e construir um turismo rural, onde pudessem ligar a atividade apícola com o turismo. Aproveitaram um antigo pombal, recuperando-o e fizeram a receção do espaço, onde também existe uma excelente garrafeira.
Um espaço que prima pela elegância, tecnologia, sustentabilidade, tranquilidade, sossego, onde o proprietário nos explicou, que os seus clientes, são família e que pretendem que se sintam em casa, encontrando-se disponíveis para o que for preciso, sem estarem presentes. Os clientes têm privacidade e tudo o que precisam, numa casinha em forma de favo de mel, suspensa por estacas de madeira, ao nível das copas das oliveiras. Sem dúvida, uma experiência diferenciada e para quem tiver interesse, também pode fazer prova de vinhos ou degustação de produtos regionais.
Por cima da receção, encontra-se um pequeno terraço onde pode relaxar numa cadeira a contemplar o rio Côa ou no baloiço que ali se encontra. Neste agroturismo existem dois burros que fazem a delícia das crianças e uma pequena horta.
Passei uma bela tarde sossegada na piscina, a olhar para o horizonte, ao som do chilrear das andorinhas e por vezes a ouvir o zurrar de um dos burros.
Foi sem dúvida uma experiência inesquecível e que aconselho a fazer. O nosso jantar foram os restos do almoço acompanhados de uma garrafinha de branco bem fresquinha e tivemos como companhia uma gatinha tigresa que faz valer as nossas gatas. Núvem e Nancy têm de aprender a comer ossos com esta menina.
3º Dia - Mirandela, Miradouro Fisgas de Ermelo, Santuário da Nossa Senhora da Graça, Passadiços do Rio Uíma
Estava tudo delicioso e ainda levamos comida para o caminho.
Voltamos a ter novamente a nossa nova amiga como companhia.
Infelizmente, ou nem por isso, tivemos um problema com o carregador do carro e tivemos de fazer uma gestão da bateria, com uma agradável paragem em Mirandela, para uma carga rápida.
Mirandela, a terra das alheiras e dos enchidos, mas Mirandela é muito mais do que isso. Uma cidade rica em gastronomia, festas e romarias, localizada na região de Trás os Montes, nas margens do rio Tua e é uma das principais portas de entrada do Parque Natural do Vale do Tua.
Deixamos o carro a carregar no Mac Donald´s e atravessamos a icónica Ponte Velha, uma ponte medieval, pedonal até à outra margem do rio, onde fomos tomar um café numa esplanada. Ainda entramos em duas lojas para ver as famosas alheiras, mas optamos por não trazer, apenas trouxemos um pão do monte para o jantar para Lisboa, por estar um dia muito quente. O centro histórico é pequeno e vê-se facilmente caminhando, nós não o fizemos por termos alguma pressa. Ficará para outras núpcias.
Três rios cruzam esta cidade, o Tua, o Tuela e o Rabaçal, o que leva a uma vasta oferta das melhores praias fluvias do Norte de Portugal. Para quem é amante de trilhos, esta cidade tem uma ótima oferta de percursos pedestres com vários níveis de dificuldade e quase todos a acompanhar a antiga linha do Tua, que durante anos foi o exlibris desta região, uma das ligações ferroviárias mais cénicas do nosso país, ligando Foz Tua a Bragança.
Com a construção da Barragem do Tua, esta ligação foi extinta e esta região teve necessidade de se reinventar, aproveitando o que de melhor tem, paisagens arrebatadores que levaram à construção de alguns miradouros, com destaque para o Miradouro Olhos do Tua. Nós não o visitamos porque já o fizemos num outro caminho arrufado. Uma curta paragem para carregar a bateria do carro levou-nos a conhecer um pouco desta simpática cidade e foi sem dúvida uma agradável surpresa!
Continuando o nosso percurso, fomos visitar o mais recente miradouro de Portugal, inaugurado em Abril de 2026, o Miradouro de Fisgas de Ermelo, localizado em Mondim de Basto, onde se consegue contemplar uma das maiores cascatas de Portugal e da Europa, com um desnível de 400 metros. Antes deste, já existia um miradouro natural, mas que não era muito seguro e por esse motivo, a Câmara de Mondim de Basto realizou uma construção de um curto passadiço pedonal que termina numa plataforma de observação, para melhorar as condições de acesso ao miradouro, deixando-o mais seguro e acessivel a pessoas com mobilidade reduzida.
A nossa paragem seguinte foi no Santuário da Nossa Senhora da Graça, um santuário católico, situado no Monte da Farinha, a cerca de 1000 metros de altitude, com uma ermida pequenina, construída no séc XVI.
A ermida encontra-se aberta todos os dias e a visita é gratuita. Existe uma pequena loja com alguns souvenirs e junto do parque de estacionamento, encontra-se um café que estava fechado.
Passadiços do Rio Uíma, também conhecidos por Passadiços de Fiães, localizados em Santa Maria da Feira, uns passadiços, com quase todo o percurso em madeira, que atravessam um idílico bosque rasgado por um rio. O percurso é todo plano e de curta extensão, com cerca de 4 quilómetros ida e volta, tornando-se uma caminhada perfeita para toda a família e para quem tem mobilidade reduzida. A sensação que dá, é que os passadiços escavaram o bosque o que permite às pessoas atravessarem-no de um lado para o outro e mesmo em dias muito quentes, como foi o nosso caso, tornam-se frescos.
Fizemos uma curta paragem em Santa Maria da Feira para carregamento do carro e petiscamos os restos do jantar da véspera enquanto esperávamos pelo carregamento. Não foi o local ideal, mas temos de nos adaptar ao que é possível. Continuamos o nosso percurso por autoestrada para sul e em direção a casa. Claro está, que a Vanessa foi a dormir e o Homem aproveitou e fez um desvio em Coimbra para apanhar uma das autoestradas gratuitas de Portugal, a A4 em direção a Torres Novas, onde novamente fizemos uma rápida paragem para comprar água e dar um cheirinho de carregamento ao carro.
Saímos em direção à nacional depois de Torres Novas e fomos jantar ao restaurante Panturras, em Advagar.
Depois de desconsolados, pois a refeição não foi brilhante, na nossa opinião o borrego grelhado tinha sido aquecido e não grelhado no momento, seguimos pela A1 até casa, com mais um dos nossos caminhos arrufados, mais uma experiência, esta foi sem dúvida uma aprendizagem em carregamentos eléctricos, onde aprendemos que ter um carro eléctrico não é um problema numa viagem, apenas temos que aprender a viver com isso.
Vamos de coração cheio e brindemos a mais uma história para vos contar.
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