GUIA DE VIAGEM PARA UM PASSEIO CULTURAL E HISTÓRICO PELA BAVIERA NA ALEMANHA E BERLIM
(Roteiro de 5 Dias intensos)
Podia começar este guia a dizer que Alemanha são MacDonald´s e obras em autoestradas. Passo a explicar, percorremos de carro cerca de 1500 km e alguns em autoestrada, onde em todas as áreas de serviço existe um MacDonalds e obras em todas as autoestradas que andamos.
Se me perguntassem para definir este país numa só palavra, eu diria disciplina. Alemanha é um país muito limpo, sem lixo no chão, bastante organizado, com muita disciplina, talvez pelos seus antepassados, com a história do Hitler, com a repressão soviética, durante a guerra fria onde as regras são cumpridas e não são postas em causa.
Baviera ou Bayern em Alemão, é o maior estado federal da Alemanha, localizada a sudeste, fazendo fronteira com Liechtenstein, Áustria e República Checa. Munique é a sua capital do estado e é conhecida pelo seu festival anual da cerveja, o Oktoberfest e pelos seus trajes tradicionais da Baviera.
Para muitos é um destino de sonho, onde predominam vastas florestas, prados verdejantes, rios e montanhas. Aqui, respira-se ar puro e conseguimos conetarmo-nos com a natureza, tornando-se verdadeiramente mágico passear pelas suas terras e terrinhas, caminhar nas suas ruelas, onde a prioridade são sempre as pessoas, percorrer estradas cénicas que serpenteiam por meio de prados muito verdes, com vacas a pastar placidamente. Esta região também é apreciada pelas belas paisagens alpinas, numa cadeia montanhosa imponente, onde se podem encontrar castelos de contos de fadas, com as suas histórias de reis excêntricos, os Castelos de Neuschwanstein e de Hohenschwangau.
É nesta região que é conhecida a Romantische Srabe, a rota romântica, um percurso cénico, com cerca de 460 km, passando por mais de 29 cidades e vilas muradas medievais que parecem paradas no tempo. A melhor forma de percorrer esta rota é de carro, de forma a contemplar a beleza e toda a envolvencia das estradas que cruzam e ligam estas cidades.
Berlim, desde o séc XIII capital da Alemanha, localizada a nordeste, com cerca de 5 milhões de habitantes de mais de 190 nacionalidades. Existe pouca gente que nasceu nesta cidade, sendo uma cidade cheia de contrastes, com pessoas de todo o mundo. Podem observar-se na rua pessoas vestidas de todas as maneiras, desde o fato e gravata, ao mais excêntrico, como um homem de malinha cor de rosa. Berlim é uma cidade com espírito aberto e onde nos sentimos livres nas nossas escolhas.
Berlim tem grandes recordações e marcos históricos relacionados com a Guerra Fria e com a Segunda Guerra Mundial. Um dos monumentos mais importantes da cidade é o Portão de Brandemburgo, construído no séc XVIII e utilizado como divisão de fronteiras durante a Guerra Fria. A cidade é conhecida por ser um dos principais centros mundiais da cultura, política, ciência e tecnologia. Dado a sua localização apresenta um clima temperado sazonal, com temperaturas muito baixas no inverno.
Sugestões para a viagem:
A melhor altura para viajar, é na Primavera ou no Outono, pois as temperaturas são mais amenas, apesar de termos apanhado 3ºC de mínima no inicio de outubro. No Verão as temperaturas são mais altas e pode tornar-se mais desconfortável caminhar na cidade. No Inverno as temperaturas são bastante baixas, pode chover e os dias são mais curtos, tornando a visita pouco apetecível. Uma cidade faz-se caminhando e Berlim não fica atrás.
Para nós, a melhor forma de viajar para a Alemanha é de avião e depois alugar um carro se pretender visitar outras cidades. As autoestradas (autoban) são magníficas, sem portagens e a maioria não tem limite de velocidade, mas atenção que por vezes existem radares em algumas nacionais e limites de velocidade bem definidos. Também pode deslocar-se para várias cidades de comboio, que são rápidos, ótimos e se comprar o bilhete com antecedência fica mais barato.
Para quem já leu alguma das nossas publicações, já sabe que o Homem é madrugador e que assim que o galo canta lá vai ele pronto para mais uma aventura, desta vez sem a nossa geleira elétrica, que nos proporciona das melhores refeições junto de paisagens arrebatadoras.
O Homem como é um amante da Segunda Guerra Mundial queria ir a Berlim e eu, queria fazer a Rota Romântica na Baviera. Juntamos o útil ao agradável e fizemos o gostinho aos dois. Fizemos um voo Lisboa - Frankfurt às 5h da manhã, que na realidade devíamos ter feito para Munique, tendo em conta que fizemos a rota ao contrário do que é normal e regressamos por Berlim de forma a aproveitar ao máximo os nossos dias na Alemanha.
Alojamento
Em relação ao alojamento não é difícil de encontrar e pode ser marcado em vários motores de busca e comparador de preços de hoteis, mesmo que seja em cima da hora. Nós marcamos pelo Booking, por opção nossa. Apesar de ter marcado antecipadamente duas noites no centro de Berlim, com receio de não encontrar alojamento ou preços mais elevados, verifiquei que não era necessário, porque havia bastante oferta hoteleira, a preços acessíveis. No nosso próximo caminho arrufado, iremos sem nada marcado, como o Homem gosta.
Gastronomia
A gastronomia alemã é péssima. Em todas as regiões da Alemanha se comem salsichas (wurst), de todas as maneiras que se pode imaginar, até em sopa. As salsichas são uma tradição de à mais de mil anos, sendo uma forma eficiente de aproveitar toda a carne do animal, conservando-a por mais tempo, antes da invenção da refrigeração. Depois, são fáceis de preparar e combinam na perfeição com cerveja e pão, um dos pilares gastronómicos da Alemanha.
Também é típico o joelho de porco com chucrute (eisbein) e o panado de porco ou vaca (schnitzel).Em relação às bebidas, a cerveja é ótima, desde a artesanal, à tradicional, o vinho também é bom, principalmente no sul, onde existem várias terras com várias encostas de vinhas.
Se tiver a sorte de ir em setembro / outubro, pode provar o Federweiber, um vinho novo e semi fermentado, disponível apenas por algumas semanas e típico em festivais do vinho, mercados de natal com degustações, música e comida tradicional
1º Dia - Aeroporto de Lisboa, Aeroporto de Frankfurt, Munique, Füssen
Saída de Lisboa num voo direto às 5h da manhã com chegada a Frankfurt às 9h, onde levantamos a nossa viatura na Europcar no Aeroporto. O funcionário disse ao Homem que nos ia dar um carro melhor porque a entrega seria em Berlim e o que nos saiu, foi um carrinho pequenino, um Mitsubishi. Na realidade, devíamos ter ido para Munique, de forma a iniciar a rota romântica em Füssen, mas como sempre, eu li vários sites e blogs antes de viajar e a maioria dos turistas faz a rota a partir de Wurzburg até Füssen e a razão é muito simples, acabar a rota da melhor forma, com a beleza das montanhas e os Castelos dos contos de fadas.
Saindo de Frankfurt, dirigimos-nos pela autoestrada para fazer uma breve paragem em Munique. Uma autoestrada excelente com cinco faixas de rodagem e sem limite de velocidade. Almoçamos MacDonald´s numa área de serviço e fizemos uma curta paragem em Munique, ou melhor, tentamos estacionar o carro, mas os parques de estacionamento estavam todos cheios, talvez por ser o final do Oktoberfest, um festival de cerveja, gratuito, que acontece todos os anos em Munique, nesta altura do ano e que leva imensa gente à cidade, levando os alemães a dizerem que quem gosta de cerveja, tem que ir uma vez na vida a este festival.
Munique, a segunda maior cidade da Alemanha e a capital da Bavária, sendo conhecida por este festival e várias cervejarias conhecidas, mas a cidade tem muita história e não me vou debruçar sobre isso porque fizemos como se costuma dizer na gíria popular, uma visita de médico à cidade. Eu fiquei numa fila à espera de conseguir lugar num parque e o Homem caminhou até à praça central, Marienplatz para tirar uma fotografia. Uma praça que serve de ponto de encontro para turistas e habitantes, considerada a alma e o coração da cidade. Aqui encontra-se a nova Prefeitura, o relógio musical, Glockenspiel, que se localiza no alto da fachada principal, entre tantas outras atrações. É nesta praça que se une o passado e o presente de Munique.
Deixando esta bonita cidade para outra visita a este país, continuamos pela autoestrada até Füssen, para irmos visitar o Castelo de Neuschwanstein, o castelo do rei louco e que foi a inspiração para o Castelo da Bela Adormecida na Disney. Este castelo localiza-se numa colina, em Schwangau, muito próximo de Füssen, construído na segunda metade do séc XIX, numa época em que já não fazia sentido os castelos e as fortalezas. Foi a casa do egocentrico rei D. Luis II da Baviera, de forma a satisfazer os seus sonhos e excentricidades, num mundo que ele construiu paralelo à realidade, uma vez que após ele ter perdido a guerra austro-prussiana, ficou desprovido de muitos direitos, poderes e posição social. Humilhado politicamente, refugiou-se no castelo e dedicou-se à arquitetura, arte, musica e leitura. No castelo existem várias salas ornamentadas a oro e com diversas pinturas inspiradas nas óperas de Wagner, um dos seus compositores favoritos.
Encontra-se aberto ao público desde 1886, pouco depois da morte precoce e misteriosa do rei e recebe milhares de visitantes por dia. Para visitar o castelo é melhor comprar o bilhete online (site oficial ou outro) e antecipadamente, porque esgota rapidamente.
Nós fomos de carro até Schwangau e estacionamos num dos parques de estacionamento (13€ até 6 horas). Existem quatro parques e o melhor é deixar o carro no parque nº 4 e daí apanhar o Bus (5€ ida e volta) que leva até ao castelo ou se preferir pode ir de carroça ou a pé (caminhada de cerca de 30 minutos).
O Bus leva-nos até perto da ponte de Maria, Marienbruck, que nos oferece a vista mais deslumbrante do castelo (atenção às alturas). Um local imperdivel para garantir fotografias e recordações memoráveis. Depois, é apenas uma curta caminhada por uma estrada asfaltada rodeada de exuberante vegetação muito verde. É uma das atrações mais visitadas da Alemanha, pela sua imponência e beleza única e é bonito de ser visitado em qualquer estação do ano, sendo sempre uma paisagem de tirar o fôlego.
Já tive a sorte e o prazer de contemplar vários cenários bonitos nas nossas viagens, mas este é verdadeiramente mágico.
Muito próximo deste castelo existe outro, menos imponente e que fica ofuscado pela beleza do primeiro, o Castelo de Hohenschwangau, que nós não visitamos. Foi o primeiro castelo da região e pertenceu ao rei Maximilian II da Baviera que era o pai de Ludwig II, o criador do Castelo de Neuschwanstein, que significa "Novo Cisne de Pedra", sendo uma referência a Lohengrin, com a ópera o "Cavaleiro do Cisne", um grande amigo de Ludwig II.
Com a noite a aproximar-se, estava na altura de encontrarmos alojamento em Füssen. Ficamos hospedados no Luitpoldpark e reservamos diretamente no hotel, pois verificamos que ficava mais barato do que através de uma plataforma de viagens. Um espaço agradável, com funcionários muito simpáticos, bem localizado no centro da cidade e com um bom pequeno almoço bastante variado. Jantamos perto do hotel as tradicionais salsichas, curry wurst.
2º Dia - Rota Romântica: Lechfall, Augsburg, Rothenburg, Würzburg
Tomamos o pequeno almoço pelas 7:30 e quando chegamos perto do carro, fomos contemplados com um brinde, uma multa de estacionamento e posso adiantar já que não foi a única multa deste nosso caminho arrufado, mas como o Homem costuma dizer: o que é que fica para a história? são as multas ou as vivências...Indignados com a atitude do policia, mas com uma viagem pela frente, seguimos caminho por estradas cénicas, por meio de prados verdejantes e com vaquinhas simpáticas a pastar.
Atenção que para fazer a rota romântica deve ter atenção às placas que vão encontrando pelo caminho. A rota não são apenas as cidades e vilarejos, são também as estradas por onde se circula e com toda a sua beleza envolvente. Até porque a maioria das cidades que fazem parte da rota, são pequenas e não têm muito interesse para visitar. Depois de muita leitura sobre esta rota em vários sites e blogs, decidimos fazer o nosso próprio percurso, o nosso caminho e visitar apenas as cidades e vilas que nos interessavam. Esta rota tem aproximadamente 460 quilómetros de extensão e o tempo médio para ser percorrida depende do interesse e tempo de cada viajante.
Antes de iniciarmos a rota de Füssen para Wurzburg, fizemos uma curta paragem numas cascatas que existem próximo de Füssen, as Lechfall. Localizam-se muito próximo da estrada, muito próximo da fronteira com a Austria e aproximadamente a 800 metros acima do nível médio das águas do mar, sendo possível deslocar-se de carro até próximo da queda de água . Atenção que o parque de estacionamento é pequeno e no Verão enche rapidamente. Nós apanhamos chuva e por essa razão encontrava-se vazio.
O Lechfall desce por uns socalcos numa barragem construída no rio Lech, criando três quedas de água de três metros que descem num desfiladeiro.
Durante o séc XVIII as autoridades locais construíram esta estrutura, numa forma de controlar a quantidade de água proveniente das montanhas, evitando inundações na cidade de Füssen. Lechfall não é muito espetacular, mas consegue ter uma beleza singular e definitivamente vale a pena visitar, com a grande vantagem de ter acesso gratuito. Consegue desfrutar da beleza deste local por uma ponte que atravessa as duas margens do rio e onde é possível tirar bonitas fotografias. Nesta zona, é possível fazer alguns trilhos com algum ganho de elevação.
De regresso ao carro, seguimos viagem por estradas secundárias por onde passa a rota romântica. A beleza da rota está precisamente nestas estradas secundárias, mas atenção ao trânsito, aos sinais de trânsito e aos radares, o que pode tornar a viagem mais vagarosa. Todas as vilas são diferentes e são para todos os gostos, umas mais pequenas, outras com mais turismo, outras com mais história, mas todas elas com muito para descobrir. As três principais são: Wurzburg, Rothenburg e Füssen e foram as que nós visitamos.
Estas pequenas cidades e vilas são para serem conhecidas a pé e consegue encontrar facilmente estacionamento nas entradas das vilas, normalmente pago. Não caia na tentação de estacionar em lugares livres nos centros da cidade e que não estejam identificados com parquímetros, a não ser que queira ganhar uma bela multa. Muitos destes lugares são exclusivos para residentes e isto aplica-se a toda a Alemanha. Outro ponto importante, quando se faz esta rota, é que o comércio e a restauração encerra cedo. A maioria dos restaurantes não aceita mais pedidos depois das 21h e foi o que nos aconteceu em Füssen.
Fizemos uma rápida paragem numa das cidades mais antigas da Alemanha, Augsburg, uma vila rica em história renascentista e cultura e onde se pode encontrar o mais antigo complexo habitacional social do mundo e que ainda hoje hoje se encontra em funcionamento, o Fuggerei. Fundado por um banqueiro em 1521, para pessoas com baixos rendimentos.
Rothenberg ob der Tauber foi a nossa paragem seguinte e considerada a estrela da rota, sendo uma das cidades mais famosas, com as suas muralhas bem preservadas, ruas bem conservadas, com casas pitorescas, arquitetura medieval e várias atrações históricas. O nome desta cidade foi dado após a construção de um castelo no séc X e o nome significa, rot = vermelho e burg = castelo, ob significa "acima" e Tauber significa "rio", o que representa, castelo vermelho acima do rio Tauber.
Para visitar o centro histórico, é necessário passar pelas duas torres marcantes, Markusturm e Weisser Turm, que formavam o portal da entrada da primeira fortificação da cidade. É considerada a capital natalina da Alemanha e famosa pelos seus mercados de Natal, com uma tradição de mais de 500 anos. É nesta pequena cidade que pode encontra a conhecida loja de natal Kathe Wohlfahrt, um dos grandes destaques da cidade.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Rothenburg sofreu graves destruições, mas na década de 1950 e 1960, a cidade foi reconstruida, sendo preservada alguma arquitetura. Durante a guerra, uma parte da comunidade de Rothenburg e um antigo spa, foi usado como hospital, orfanato e escola da Juventude Hitlerista. Após a guerra, serviu como campo para deslocados do Báltico. A cidade, com suas ruelas medievais e arquitetura histórica, continua a ser um marco de uma história de 1000 anos da Alemanha, atraindo visitantes de todo o mundo, com um maior destaca para a bonita praça central Plolein.
Foi nesta bonita praça, que nos sentamos numa esplanada e bebemos uma cerveja tradicional, ou não estivéssemos na Alemanha, onde a cerveja tem uma longa tradição, com centenas de estilos regionais e milhares de cervejarias locais.
Beber uma cerveja depois do trabalho, em festas ou ao fim de semana, é visto como algo comum e aceite socialmente, não tendo importância ser homem ou mulher. É permitido o consumo de cerveja a partir dos 16 anos.
Um facto curioso ao atravessarmos o sul da Alemanha por estradas secundárias, foi encontrarmos venda ambulante de fruta, principalmente abóboras, sem um único vendedor. Passo a explicar, existem bancas de venda com produtos com o valor identificado e onde apenas existe uma caixa onde é colocado o dinheiro. Isto se fosse em Portugal, roubavam os produtos, o dinheiro e não deixavam nada. Isto é mesmo um país desenvolvido e onde as regras e a disciplina são cumpridas.
A nossa última paragem deste dia foi na última cidadezinha da rota romântica, Wurzburg, para quem inicia a rota de norte para sul, como a maioria das pessoas faz, é a primeira cidade.
Conhecida pelas suas vinhas, arquitetura barroca e pelo Palácio da Residência de Wurzburg, que hoje é património da UNESCO.
Wurzburg, localiza-se nas margens do rio Main e é atravessada por uma linda ponte em pedra, a Mainbrucke. Foi aqui que o Homem levantou o drone, enquanto eu caminhava pelo tabuleiro da ponte. Passear aqui foi uma delícia, não só por todo o cenário, como por toda a envolvência que se passa nesta ponte.
De um lado existe a bonita cidade de Wurzburg, com as torres da catedral ao fundo e do outro lado, observamos encostas recheadas de vinhas e onde se encontra a Fortaleza Marienberg, tornando toda a paisagem ainda mais encantadora.
Ao caminhar pela ponte, fui observando várias pessoas a conversar e todas com um copo de vinho na mão, um conceito muito interessante duma cidade vinhateira.
No final da ponte existem estabelecimentos que vendem vinho a copo, pagando uma caução pelo copo que depois é devolvida e claro está que nós como apreciadores de vinho, fomos provar e degustar o nosso vinho no tabuleiro da ponte com vista para o rio.
O Homem pediu a um jovem casal para nos tirar uma fotografia e qual não foi o nosso espanto, quando ele falou connosco em português. Não, não era português, mas era médico e tinha feito Erasmus em Lisboa e aprendeu a nossa língua e tinha uma excelente pronuncia.
Mantivemos uma conversa muito agradável com eles, ora em português, ora em inglês e o Homem até ficou com o contacto dele para lhe enviar as fotografias que tiramos juntos.
Foi sem dúvida um dos melhores momentos deste nosso caminho arrufado e por falar em caminhos arrufados, o Homem divulgou o nosso blog junto deste simpático casal, que mostrou muito interesse em ler as nossas viagens.
Ficamos a dormir perto de Wurzburg, num hotel simpático em Dettelbach, Akzent Hotel Franziskaner, onde também jantamos comida tradicional alemã, o schnitzel (panado de porco ou vaca) e a weisswurst (salsicha branca típica de Munique), acompanhado de um excelente vinho branco daquela região.
3ª Dia - Dresden, Berlim
Depois do pequeno almoço, seguimos viagem com destino a Berlim, com uma paragem que não estava prevista no nosso roteiro, em Dresden.
Dresden, localiza-se a leste da Alemanha, nas margens do rio Elba, capital saxónica e conhecida como a "Florença do Norte".
Foi severamente bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial, o que resultou na destruição de quase todo o seu centro histórico. No entanto após a guerra, a cidade renasceu das cinzas e passou por um processo de reconstrução e restauração de muitos marcos históricos, graças ao esforço e à força da população e hoje é umas das principais cidades turísticas a visitar na Alemanha.
Estacionamos o carro num parque de estacionamento subterrâneo junto do centro e caminhamos pela cidade velha, onde existem vários edifícios barrocos, museus, galerias e teatros para todos os gostos. É uma cidade cheia de história e rica em cultura, arquitetura e beleza natural.
A igreja de Nossa Senhora, a Frauenkirche é um dos símbolos mais icônicos desta cidade. Foi construída no séc. XVIII, no estilo barroco e foi completamente destruída durante os bombardeios de 1945. Após a guerra, com a reconstrução de vários marcos históricos, foi meticulosamente reconstruída usando técnicas de restauração históricas, sendo reaberta ao público somente em 2005. Ao seu redor, existe uma bonita praça repleta de restaurantes e estabelecimentos comerciais.
Hoje, ainda é possível contemplar na fachada da igreja alguns vestígios da destruição da Segunda Guerra Mundial, onde é possível observar uma mistura de pedras claras e escuras, sendo as escuras, pedras de arenito e as originais da igreja que foram recuperadas e reutilizadas. Esta igreja é um marco da história desta cidade. Na praça onde se localiza a igreja, conseguimos contemplar algumas pedras originais que foram recuperadas dos escombros após o bombardeamento da cidade. A cor escura das pedras deve-se a terem sido carbonizadas pelo calor do fogo, enquanto que a cor clara são pedras de arenito recentes. Com o passar dos anos, espera-se que estas pedras escureçam e se misturem com as outras. A integração das duas pedras, simboliza a reconciliação e a esperança, numa forma de preservar a história da igreja.
Outro edifício histórico, é a Praça do Teatro, Theaterplatz, rodeada de construções e monumentos notáveis, o teatro, Palácio Zwinger, Hofkirche e a Ópera Semper.
Outro marco conhecido é a Ponte Augustus, uma ponte histórica que cruza o rio Elba. Construída no séc. XIII, a ponte foi reconstruída várias vezes ao longo dos séculos devido a danos causados por enchentes e guerras. Nós não chegamos a cruzar esta ponte.
Outro marco histórico é o Fürstenzug, um mural ao ar livre com aproximadamente 102 metros de comprimento e conhecido como “Desfile dos Príncipes”. Este mural retrata uma procissão de duques, eleitores e reis da Saxônia da dinastia Wettin.
Foi pintado entre 1871 e 1876, e em 1904 e 1907 de forma a garantir a durabilidade, foram colocados azulejos de porcelana de Meissen. É considerada uma das maiores obras de arte em porcelana do mundo e por incrível que pareça sobreviveu quase intacto aos bombardeios da Segunda Guerra Mundial.
Antes de deixarmos esta cidade histórica, fomos beber uma cerveja num mercado, na Altmarkt (praça velha). Esta praça é das mais antigas e mais importantes de Dresden e foi quase totalmente destruída nos bombardeios de 1945. Foi reconstruída em 1953 com edifícios com uma arquitetura que espelhou os edifícios originais. Nesta praça existe a igreja de Santa Cruz (Kreuzkirche) e o Altmarkt Galerie, um centro comercial com cerca de 200 lojas e restauração. Foi neste contexto que ao falarmos com os habitantes da cidade, percebemos, que a história e o sofrimento da Segunda Guerra Mundial, ainda está muito presente nas suas memórias e não se sentem muito confortáveis em falar sobre essa década, tentando mesmo desviar assunto.
Com as horas a passar estava na altura de seguirmos caminho até Berlim. São cerca de 200 km que unem as duas cidades e a viagem faz-se muito bem, sempre por autoestrada.
Berlim, uma das cidades mais elegantes da Europa e que atrai milhares de turistas durante todo o ano, pela sua história, cultura, monumentos, arte, vida nocturna. Berlim é muito mais do que conhecer o muro ainda muito vivo, é caminhar nas ruas e vivenciar experiências, é apreciar a arte urbana, degustar street food, desfrutar de eventos musicais non stop, apreciar os principais museus e atrações culturais.
Berlim é a capital da Alemanha desde 1990 e a cidade mais povoada, com cerca de 3,5 milhões de habitantes e está a preparar-se para ser a capital mais importante da Europa, com uma população jovem e culta, onde surgem muitos dos novos movimentos juvenis europeus. É um modelo de tolerância e liberdade, marcada por uma história pesada, mas também por períodos áureos. Foi destruída durante a Segunda Guerra Mundial e dividida pelo Muro, em Alemanha Ocidental e Oriental durante 28 anos. Após a queda do Muro, a cidade reergueu-se e foi recuperando o seu antigo esplendor, nascendo edifícios com arquitetura moderna que foram apagando o passado obscuro da cidade, onde o clássico se mistura com o moderno.
Os campos de concentração existentes a alguns quilómetros da cidade, expõem seus segredos mais bem guardados sobre os bunkers, a ditadura nazi, os refugiados e transmitem o terror e o medo duma cidade marcada por um passado angustiante.
É uma cidade bastante grande, mas fácil de explorar, com um dinamismo que não se consegue comparar, nem igualar a outra. Apresenta uma excelente rede de transportes públicos, entre o autocarro, o elétrico, o metro - U-Bahn, o comboio - S-Bahn, as bicicletas, ou mesmo caminhando, que foi o que nós fizemos. Uma cidade vê-se por cima e não por baixo da terra, vê-se caminhando, como o Homem diz.
Deixamos as malas no hotel Best Western Plus Plaza e fomos entregar o carro no rent a car na estação de comboios. Este hotel encontra-se muito bem localizado, a 300 metros da estação de metro (U Uhlandstrabe) e é perfeito para passeios turísticos ou viagens de negócio. Existem vários monumentos que se encontram a uma curta distância a pé, o que para nós não foi nenhum problema, porque fizemos toda a nossa estadia em Berlim, a pé ou de bicicleta.Foi muito difícil encontrarmos a entrada para o parque, na estação de comboio porque a sinalização era péssima, mas a estação é enorme e muito bonita. Hauptbahnhof, principal estação de comboios, inaugurada em Maio de 2006, com cinco pisos, muito central e bem localizada, junto do rio Spree e muito próximo das principais atrações turisticas. Aqui pode encontrar um centro comercial, vários estabelecimentos de restauração e até existe um farmácia.
Seguimos caminho até ao Palácio do Reichstag, que é a sede do Parlamento Federal Alemão, construído entre 1884 e 1894 e foi palco de momentos importantes da história alemã. A sua cúpula em cristal, foi desenhada pelo arquiteto Norman Foster e está situada diretamente na sala de plenos do parlamento. Durante a Segunda Guerra Mundial o edifício foi destruído e foi reconstruído em 1956, preservando a cúpula original. Na entrada principal encontramos um letreiro que diz "Dem Deutschen Volke" (ao povo alemão).
Continuamos caminho até Konzerthaus Berlin, a Casa de Concertos de Berlim, do estilo neoclássico, que se localiza numa praça histórica, Gendarmenmarkt. É uma das praças mais importantes e bonitas da Europa e um local popular onde se realizam concertos e mercados sazonais. Foi originalmente construído como um teatro no séc XVIII. Localiza-se entre duas igrejas, a Franzosischer Dom, a catedral francesa e a Deutscher Dom, a catedral alemã.
Portão de Brandemburg, um monumento neoclássico, inaugurado em 1791, no séc XVIII, que é considerado o símbolo de Berlim, o símbolo da paz sobre as armas. Era uma das portas de acesso à cidade, que nessa época, era rodeada por muralhas. O portão sobreviveu às duas grandes Guerras Mundiais e durante a Guerra Fria, ficou na fronteira entre o lado oriental e o lado ocidental, tornando-se o símbolo da divisão da Alemanha. É formado por 12 colunas em estilo dórico, seis de cada lado e no topo do Portão, encontra-se uma imagem em bronze, que representa "Quadriga", no qual a deusa grega, que simboliza a paz, conduz uma carruagem com os seus quatro cavalos.
Na altura da Segunda Guerra Mundial, o Portão resistiu mas, a Quadriga ficou destruída e apenas uma das cabeças do cavalo sobreviveu. Após a guerra e com a construção do muro de Berlim, o trânsito e o circuito pedestre ficaram impossibilitados e durante esse período, houve uma restauração da Quadriga, passando a estar colocada para o lado oriental, que representava o lado socialista. Ainda hoje a Quadriga se encontra nessa posição. Durante cerca de 30 anos o portão só podia ser visitado pelos soldados da DDR (forças militares de fronteira da Alemanha Oriental).
Com a queda do muro, em novembro 1989, o Portão tornou-se o símbolo da reunificação do país e hoje é um dos monumentos mais importantes e visitáveis na Alemanha, com milhares de turistas por ano.
Checkpoint Charlie, localizado na Friedchstrabe, é um marco da Segunda Grande Guerra Mundial e um dos pontos mais históricos da cidade de Berlim. Encontra-se ligado ao período da Guerra Fria, onde após a construção do Muro de Berlim, era o ponto de passagem, com um controlo internacional entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental, representando o confronto entre o comunismo e o capitalismo.Nessa época, foi um dos principais cruzamentos internacionais para o trânsito entre pessoas. Apenas se encontravam autorizados a passar, diplomatas, estrangeiros, oficiais e militares aliados. A passagem aos civis era estritamente proibida.
Em outubro de 1961 foi palco de um confronto entre tanques americanos e soviéticos, que ficaram frente a frente, com armas apontadas, um dos momentos mais tensos desta guerra. Em 1990, com o fim da Guerra Fria, o Checkpoint Charlie foi desmantelado. Atualmente, é uma atração turística, que inclui uma réplica da cabine de controlo e do outro lado da rua existe o Museu Haus dedicado à Guerra Fria e ao Muro de Berlim e com histórias de fugas e artefatos originais e onde se pode encontrar a famosa placa "You are leaving the American sector".
Já de noite e cansados, continuamos caminho não por dentro do jardim, por não existir praticamente iluminação, mas sim a contorná-lo. O Homem ainda falou em alugar uma bicicleta, mas eu não aceitei e confesso que me arrependi e muito. Um dos momentos engraçados e curiosos da nossa caminhada noturna, foi encontrarmos uma raposa à solta na cidade, junto de um hotel. Não parecia assustada e encontrava-se calma e amistosa, o que nos levou a pensar que seria frequente encontrar-se ali, a razão, desconhecemos.
Já muito perto do nosso hotel, no meio de uma avenida, encontra-se os destroços da Igreja Memorial Kaiser Wilhelm, um símbolo icónico da resiliência da cidade e hoje considerado um memorial contra a guerra. A igreja original foi construída em estilo neo-românico entre 1891 e 1895 e durante a Segunda Guerra Mundial ficou quase toda destruída, mantendo-se uma parte da torre. Esta torre foi preservada, de forma a manter viva a lembrança da guerra. Entre 1959 e 1961, foram construídas uma nova igreja junto das ruínas, que hoje pode ser visitada de forma gratuíta.
Cansados, esfomeados e saturados da comida alemã, decidimos jantar no restaurante ao lado do hotel, El Dorado, com gastronomia espanhola, onde optamos por um prato de tapas variado e umas cervejas a acompanhar. Estava tudo excelente, tanto a simpatia do funcionário, como a qualidade da comida.
4º Dia - Berlim
Depois de um excelente pequeno almoço no hotel, dirigimos-nos de bicicleta até perto do Memorial do Holocausto, um memorial que representa os judeus mortos pelas mãos do Hitler, que se localiza no coração de Berlim, entre o Portão de Branderburgo, a Embaixada dos Estados Unidos da América e muito próximo do Fuhrerbunker.Continuamos o nosso rumo caminhando em direcção à ilha dos Museus, onde contemplamos Berliner Dom, a Catedral de Berlim, construída entre 1895 e 1905, sendo considerada a maior e mais importante igreja protestante de Berlim. A visita é paga e tem um valor de 10 €
Rathaus, a prefeitura de Berlim, localizada muito próximo de uma das maiores praças de Berlim, a Alexanderplatz. Um edifício com uma fachada com tijolos vermelhos de clinquer, que é sede do atual Prefeito de Berlim e do Senado, um edifício histórico que possui um significado simbólico após a queda do Muro de Berlim. Serviu de residência oficial do magistrado e Prefeito da Grande Berlim até o final Segunda Guerra Mundial. Após a divisão da cidade, Berlim Oriental reivindicou esse título, e o governo mudou-se de Berlim Oriental para a Prefeitura de Schöneberg. Desde 1 de outubro de 1991, o governo de Berlim está sediado na Prefeitura Vermelha.
Alexanderplatz, a praça mais turística de Berlim, que abriga a Torre de Televisão e o Relógio Mundial, que mostra a hora de todas as cidades do mundo. Já na Idade Média, quando era conhecida como Ochsenmarkt ou “Mercado do Boi”, esta praça era considerada o centro de Berlim. Atualmente Alex, como dizem muitos berlinenses, continua sendo um dos principais pontos de encontro da capital, onde tudo acontece nesta praça. No final da Segunda Guerra Mundial, esta praça ficou completamente destruída pelos bombardeios. O acontecimento mais importante ocorrido, foram os protestos de 4 de novembro de 1989. Nesse dia, meio milhão de pessoas se manifestou contra o governo comunista. Cinco dias depois, em 9 de novembro, o governo anunciou a liberdade para atravessar o Muro de Berlim.
Na praça original, existem alguns bares, o centro comercial Galeria Kaufhof, e a Fonte da Amizade entre os Povos. Nesta praça, destacam-se a Igreja Marienkirche, construída em 1380, a Fonte de Netuno e a Prefeitura Vermelha que, embora tenha sido usada pelo governo, recebeu esse nome pela cor dos seus tijolos.
Muro de Berlim, um muro construído em 1961, com 155 quilómetros de comprimento, que separava Berlim Ocidental de Berlim Oriental. A sua construção foi imposta pelo regime soviético para interromper o fluxo de pessoas que fugiam do lado oriental para o lado capitalista, à procura de um mundo melhor. Os meios de transporte foram interrompidos, ninguém podia atravessar de um lado para o outro e famílias e amigos foram separados durante décadas.
Com o passar dos anos mais de 5.000 pessoas tentaram atravessar o Muro de Berlim e mais de 3.000 foram detidas. Cerca de 100 pessoas morreram na tentativa, a última delas em 5 de fevereiro de 1989, estas tentativas levaram à ampliação do muro para aumentar a segurança, tornando-se uma parede de tijolos com uma altura de 3,5 a 4 metros de altura. Na parte superior, foi colocada uma superfície semiesférica para que ninguém pudesse atravessar. Ao longo de todo o muro, formou-se um fosso, uma avenida pela qual circulavam veículos militares, sistemas de alarme, armas automáticas, torres de vigilância durante 24 horas, um fosso chamado de faixa da morte.
A 12 de junho de 1987, Ronald Regan, fez o célebre discurso no Portão de Brandemburg apelando ao Mister Gorbachev "Tear down this wall". Um discurso que mexeu com o povo alemão e que catalizou a queda do Muro.
A 9 de novembro de 1989, um dirigente da República Democrática Alemã (RDA), anunciou erraticamente, que as viagens para o Ocidente, seriam permitidas imediatamente. Este discurso reacendeu a esperança das famílias divididas derrubarem o Muro que as dividiu durante 28 anos. E foi nesta noite que o Muro caiu e que levou à reunificação da Alemanha Oriental e Ocidental. Na noite de dia 9 de novembro, milhares de pessoas juntaram-se nos check points para poder cruzar para o outro lado e ninguém conseguiu detê-las.Assim começou um êxodo em massa e, no dia seguinte, as primeiras brechas foram abertas no Muro e começou a contagem regressiva para o fim de seus dias.
A única parte do Muro que se manteve em pé encontra-se em East Side Gallery, uma galeria a céu aberto. São 1,3 quilómetros de muro decorados com impressionantes pinturas que refletem diversos acontecimentos relacionados com a história do Muro de Berlim. Esta é uma zona da cidade onde ainda se sente uma presença muito viva da história da Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria. Vale cada passo caminhar durante estes 1,3 quilómetros e observar as pinturas e aquilo que elas representam.
Deixando este simbolismo para trás, caminhamos até Oberbaumbrucke, uma ponte com 150 metros de comprimento e 28 de largura, considerada um marco desta cidade. Uma ponte que cruza o rio Spree e que apresenta um piso duplo, onde no piso térreo circulam carros e bicicletas e no piso superior circula as linhas U1 e U3 de metro. Numa zona lateral da ponte, há uma passagem coberta com bonitos arcos formando um túnel por onde circulam as pessoas. Apresenta duas torres marcantes, cada uma com 34 metros de altura, com pontas adornadas, uma com o urso de Berlim e a outra com a águia de Brandemburgo e que chamam a atenção de longe, pela sua imponência.
Hoje a área da Ponte Oberbaum é ponto de encontro no verão e não só, especialmente para jovens, é onde a vida pulsa a noite e muitos festejam a vida. A vista que a ponte oferece é esplêndida, podendo observar-se prédios modernos e a "Torre de Treptow" ao fundo, um monumento soviético em Treptower Park, famosa pela sua altura e vista panorâmica, um símbolo da arquitetura da Alemanha Oriental durante a Segunda Guerra Mundial.
A nossa paragem seguinte foi em Markthalle Neun, localizado num bairro incrível, um mercado centenário, regional, frequentado pelos próprios locais e com produtos muito frescos e com ótima qualidade, mas caros. Este mercado histórico, especializou-se em produtos orgânicos e regionais, tornando-se uma feira gastronómica. A grande vantagem, é não ser nada turístico. O Homem adora mercados e uma viagem para ele, tem de ter uma visita ao mercado local. Localiza-se na Eisenbahnstrasse 42-43, muito próximo da estação de metro da linha U1 Gorlitzer Banhof e Schlesisches Tor.
A nossa última paragem deste dia foi no bairro típico de Reuterkiez, onde acontecem os característicos mercados de rua, onde pode encontrar um pouco de tudo, desde roupa, artesanato, comida tradicional. Um mercado frequentado principalmente por locais e poucos turistas, que continuam a preferir as grandes lojas de renome internacional. Nestes mercados de rua e cada vez é mais frequente encontrar estes mercados em Berlim, é possível comer bem e barato. Na maioria deles, o cenário não podia ser mais berlinense, o ambiente decrépito e grafitado de algumas zonas de alguns bairros funcionam como palco para a preparação de refeições de porco no pão a vapor, das tapiocas pernambucanas e dos satês balineses (espetadas de carne picada).
De regresso ao hotel, a pé, passámos por uma zona verde da cidade, mais um dos pulmões da cidade de Berlim, uma cidade com muitas zonas verdes, de lazer e recreação, pequenas e grandes, especialmente em bairros centrais. Uma cidade com um equilíbrio entre o urbanismo e o arborismo. E foi o que encontramos, um dos mais recentes parques verdes em Kreuzberg, o Parque am Gleisdreieck, localizado numa antiga área ferroviária ao redor do cruzamento de tráfego, um dos parques mais populares de Berlim.
No final da Segunda Guerra Mundial, esta área ferroviária, tornou-se num terreno baldio e desenvolveu uma rica diversidade de vegetação, o que levou a um grupo de cidadãos juntar-se e recuperar a flora e a fauna, sendo bem sucedidos, o que levou à construção deste parque. O parque estende-se em direção ao sul até o parque natural em Schöneberger Südgelände e apresenta um total de 26 hectares. Uma linha de trem ICE atravessa esta área na direção norte-sul, separando as duas partes do parque.
As extensas áreas verdes, oferecem amplo espaço para um delicioso piquenique ou um jogo de bola, ou mesmo passear o cão. Na área de contacto com a natureza, crianças de 6 a 12 anos também podem descobrir animais e plantas, brincar umas com as outras, ou no verão, refrescar-se nos lagos com água. E, claro, há também diversos parques infantis para crianças de todas as idades e também para os mais velhos, pode encontrar algumas esplanadas e cafés ao longo do parque.
Exaustos com um dia cheio de história e cultura e saturados da comida alemã, decidimos comprar umas iguarias e jantar no quarto do hotel, o que foi uma ótima opção.
5º Dia - Berlim - Lisboa
Último dia na Alemanha e na cidade de Berlim! Hoje ficámos mais um pouco na cama, não tínhamos pressa, não que tivéssemos visto tudo em Berlim, porque numa cidade como esta, nunca é demais passear pelas suas bonitas e limpas avenidas, ou visitar um parque verde, que são vários, ou visitar um dos seu milhares de museus, mas estava na hora de voltarmos para casa e neste dia não tínhamos muito tempo livre.
Depois do nosso tradicional pequeno almoço com as iguarias regionais alemãs, fizemos um passeio de bicicleta pelo parque GroBer Tiergarten Berlim, seguido de uma caminhada por uma das avenidas perto do hotel, de forma a visitarmos algumas lojas. Acontece que era feriado e não tivemos muita sorte numa visita às lojas.
Fizemos uma curta paragem no Fuhrerbunker, ou melhor no local onde esteve instalado o bunker, um complexo subterrâneo de salas, a dez metros de profundidade e protegido por quatro metros de betão armado. Foi neste espaço que Adolf Hitler passou as suas últimas semanas até cometer suícidio. Localiza-se a nordeste da Chancelaria do Reich. Quem vier a Berlim na expectativa de conhecer este bunker, desengane-se, porque foi totalmente destruído pelo ódio soviético logo após a conquista de Berlim. O bunker materialmente não existe, existe sim o lugar onde foi ele existia, que neste momento é ocupado por prédios urbanos e um pequeno jardim. E é precisamente por não existir, que o local merece ser visitado.
Continuamos a nossa caminhada até ao Memorial do Muro de Berlim, localizado na Bernauer Straße, uma rua com uma história única e trágica, que marca muitos acontecimentos deste capítulo triste da história de Berlim.
A rua marcava os limites entre os bairros Wedding e Mitte e com a divisão de Berlim em quatro zonas após a Segunda Guerra Mundial, a rua acabou limitada em apenas duas zonas, a rua pertencia à zona francesa (bairro Wedding) e os prédios no lado sul da rua pertenciam à zona soviética (bairro Mitte).
No dia 13 de agosto de 1961, o Muro começou a ser erguido e a população viu-se da noite para o dia enclausurada e separada de seus amigos e familiares. Esta rua foi palco de fugas desesperadas e dramáticas. Houve pessoas que com cordas desceram de seus apartamentos para a rua no lado ocidental, outras literalmente se atiraram das janelas. Muitas pessoas se feriram nestas fugas e houve até uma morte.
As autoridades da República Democrática Alemã mandaram colocar cimento nas janelas que davam para o lado ocidental e os moradores foram obrigados a deixar suas casas e ir morar para outros lugares. A partir de 1963 os prédios começaram a ser demolidos. Foram escavados túneis sob a rua Bernauer Straße, ligando o lado oriental com o ocidental e possibilitando assim a fuga de alguns alemães.
Na esquina das ruas Bernauer Straße com Ackerstraße, podemos encontrar algumas placas de ferro redondas incrustadas no pavimento que contam de forma sucinta sobre fugas ou tentativas de fuga: por exemplo, “25.09.61 Fluchtversuch und Festnahme; Wilfried K.”, que significa “ Tentativa de fuga e prisão; Wilfried K.”. Também podemos encontrar numa parede, fotografias de todas as 138 vítimas do muro, em ordem cronológica. É uma sensação devastadora e muito presente daquilo que se passou nessa altura.
Potsdamer Platz, uma das praças que ficou arrasada durante a guerra e dividida em duas pelo Muro de Berlim. Hoje, foi completamente reformada e voltou a brilhar como antigamente.
Após a queda do Muro, foram erguidos imponentes edifícios, modernos e arrojados que representam a nova Berlim unificada, sendo considerada uma das zonas mais movimentadas da cidade.
Apenas um edifício sobreviveu à Segunda Guerra Mundial, Haus Huth, uma construção de seis andares que suportou os bombardeios graças à sua estrutura de aço, algo único nessa época.
Na praça, foram conservados alguns restos do Muro de recordação e destaca-se o Sony Center, um complexo composto por sete prédios, alinhados em círculo e com uma cobertura de metal e vidro e que chama a atenção pela sua arquitetura futurista.
Localiza-se muito próximo do Portão de Brandemburgo e se tiver vontade de usufruir de uma vista panorâmica da cidade de Berlim, pode subir ao 25º andar da Torre Kollhoff, que se encontra a 100 metros de altura. Nós não o fizemos, primeiro porque o Homem tem vertigens e segundo porque se paga. A área da Potsdamer Platz oferece muitas opções de lazer e abriga diversas atrações da cidade, como é o caso da Legoland Discovery Center, um espaço para crianças menores e que adoram legos.
O nosso caminho arrufado, a nossa viagem, estava a chegar ao fim e estava na hora de nos dirigirmos para o hotel, buscar as nossas malas e deslocarmos-nos de comboio para o aeroporto. Compramos o bilhete numa das máquinas eletrónicas na estação, que tem o valor de 4,70€ para uma viagem de ida. Atenção que tem de comprar o bilhete de zona ABC.
De chegada a Lisboa, deslocamos-nos de metro até casa, onde a filhota teve o cuidado de nos preparar um jantar com todo o carinho.
Mais um caminho arrufado que termina, mais uma história que chegou ao fim, mas com memórias, recordações e experiências que ficam para a vida. A vida é o que fazemos dela, as viagens são os viajantes e é isto que nós tentamos fazer sempre nas nossos caminhos.
De Loren Eisley: "A viagem da Vida é difícil. Mesmo assim, conheço poucas pessoas que se deixaram deter por essas dificuldades. Entramos no mundo sem saber o que aconteceu no passado e o que reserva o futuro. É como se nossos pais estivessem em uma caravana e, de repente, nascemos no meio do percurso. Iremos o mais longe possível. Mas, olhando a paisagem, sabemos que não será possível conhecer e aprender tudo. Resta-nos tentar lembrar de tudo sobre a nossa viagem, para que possamos contar histórias. A narrativa, assim como a viagem, não irá acabar nunca". Paulo Coelho
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